Deixa
por Sônia Arruda
Ah! Deixa que o tempo passe
E que a tarde mole escoe
E que a coberta escura da noite
Vista o teu corpo estendido
Deixa, simplesmente... Deixa!
E que nenhuma coisa perturbe
O silêncio conquistado
A ausência de sentido
Aprecia essa hora cheia
Quando os membros relaxam
Se entregam, displiscentes
Sem complicadas defesas
Deixa que a sensação invada
E domine a lógica, já inútil
Fica livre, ao menos um pouco
Para apreciar o inexplicável
Perde a hora do ponteiro
Perde o prumo e o fôlego
Perde o fio da meada
Perde o medo do mergulho
Vem, agora, que eu te ofereço
A mão, o corpo e a vida
E se não souber, te ensino
Ou aprendemos junto, o que é melhor ainda...